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03 DE ABRIL DE 2025

  • Aracaju

O miliciano Wellington da Silva Braga, 34 anos, conhecido como Ecko, morreu após ser baleado em uma operação na comunidade Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, na manhã de sábado (12). O criminoso era o mais procurado do Rio de Janeiro e um dos mais procurados do Brasil.
Na operação, que contou com 21 policiais, Ecko foi baleado no peito depois de resistir à prisão e tentar fugir da casa onde estava com a mulher e os filhos.
Policiais relataram que Ecko ia ao endereço onde foi capturado com alguma frequência, de três a quatro vezes por semana. Ele foi monitorado durante seis meses pela polícia.
Em seguida, já preso, ao ser transportado de van para o helicóptero que o levaria ao hospital, ele tentou, de acordo com a polícia, tirar a arma da mão de uma policial.
Para impedir a reação do miliciano, outro policial atirou novamente. O miliciano chegou morto à unidade de saúde na Zona Sul, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
A seguir, veja o que se sabe sobre o caso:
1. Quem era Wellington da Silva Braga, o Ecko?
2. Como ele assumiu a maior milícia do Rio?
3. Como Ecko evitou ser preso por tanto tempo?
4. Como foi a operação?
5. Como era a casa em que Ecko estava quando foi baleado?
6. Por que Ecko foi levado para a Zona Sul?
7. O que a Polícia Civil alega sobre sua morte?
1. Quem era Wellington da Silva Braga, o Ecko?
Wellington da Silva Braga, 34 anos, conhecido como Ecko, foi criado na favela das Três Pontes, entre Santa Cruz e Paciência, na Zona Oeste. Ele assumiu o lugar do irmão, Carlos Alexandre da Silva Braga, conhecido como Carlinhos Três Pontes, morto pela polícia em 2017. Ecko trabalhou como pedreiro na região.
Com a ascensão da milícia na região de Santa Cruz, Campo Grande, Paciência, Inhoaíba e Cosmos, bairros da Zona Oeste, os irmãos se juntaram à organização criminosa. Ambos, com o passar dos anos, ganhariam posição de destaque na milícia.
2. Como Ecko assumiu a maior milícia do Rio?
Inicialmente atuando nos bairros da Zona Oeste, a Liga da Justiça, como o grupo era conhecido inicialmente, chegou ao seu auge em 2007, com assassinatos e controle econômico da região.
Na época, os chefes da milícia eram Ricardo Teixeira Cruz, o Batman; Toni Ângelo Souza Aguiar, o Toni Angelo; e Marcos José de Lima, o Gão, todos ex-policiais.
Com todos presos após operações em 2007 e 2008, a configuração da milícia mudou. Carlinhos, o irmão de Ecko, passou a liderar o grupo. Diferentemente dos antecessores, ele era ex-traficante do Morro Três Pontes, em Santa Cruz.
Ecko, que nunca foi policial, transformou-se no homem mais procurado do país desde que assumiu e expandiu os negócios após a morte do irmão. Ainda era a Liga da Justiça, mas ele mudou o nome do grupo para “Bonde do Ecko”.
O miliciano herdou a missão de estreitar ainda mais os laços da milícia com o tráfico, primeiro com integrantes da facção Amigos dos Amigos (ADA), depois com os do Terceiro Comando Puro (TCP).
3. Como Ecko evitou ser preso por tanto tempo?
O Disque Denúncia oferecia uma recompensa de R$ 10 mil por informações que levassem ao miliciano. Era a recompensa mais alta oferecida por um criminoso no estado.
O miliciano tinha uma rede de informantes muito forte na região da Avenida Brasil, onde ficam os bairros da capital e da Baixada Fluminense, dominados pelo seu grupo da milícia.
Naquele mesmo ano, Ecko conseguiu fugir de uma operação da Polícia Civil que prendeu 142 pessoas em uma festa em Santa Cruz, na Zona Oeste.
Ecko se escondia em vários endereços, como na cidade de Itaguaí e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo informações do Ministério Público e da Polícia Civil, ele também circulava em outros bairros da Zona Oeste do Rio.
No momento da prisão no sábado (12), ficou claro que Ecko mudou sua aparência para tentar escapar das autoridades. Estava mais gordo e tinha cabelo maior, além de usar um bigode. Estava muito diferente da foto estampada no Portal dos Procurados e do Disque-Denúncia.
4. Como foi a operação?
A Operação Dia dos Namorados, chamada assim porque o miliciano tinha ido visitar a mulher, começou no fim da tarde de quinta-feira (10), quando a Subsecretaria de Inteligência obteve informações de que Ecko estaria na casa no sábado, 12 de junho.
O delegado Rodrigo Oliveira convocou quatro agentes para a primeira reunião, ainda na quinta, e somente 21 policiais foram para Paciência no sábado.
Ecko chegou à casa da esposa por volta das 4h. Horas depois, a residência foi cercada pela força-tarefa. O miliciano percebeu a presença da polícia e tentou fugir pelos fundos, mas outra equipe o interceptou, o que deu início a um tiroteio.
O criminoso foi baleado num quarto. Socorrido pelos policiais, foi levado de helicóptero para o Miguel Couto, aonde chegou morto. Com Ecko, havia um fuzil.
5. Como era a casa em que Ecko foi baleado?
Ele estava em uma casa simples na comunidade de Três Pontes, onde foi criado. Policiais disseram que a casa tinha cinco cômodos, incluindo dois quartos, bons eletrodomésticos e itens de luxo e de segurança.
No quintal, uma escada estava instalada estrategicamente perto de um muro, para o caso de Ecko precisar fugir do local, o que ele tentou fazer ao perceber a presença da polícia.
Havia também câmeras de monitoramento na entrada da casa. Durante a fuga e o tiroteio, um fuzil foi apreendido pela polícia.
A polícia também encontrou uma farda, com a identificação “Capitão Braga”, um dos sobrenomes do miliciano. A Polícia Civil afirmou que a roupa será periciada.
6. Por que Ecko foi levado para a Zona Sul?
A casa onde Ecko estava fica a 5,3 km do Hospital Pedro II, uma das maiores emergências da Zona Oeste do Rio.
A polícia, no entanto, levou o miliciano ferido para o Hospital Miguel Couto, na Zona Sul, que fica a cerca de 50 quilômetros da casa.
Ecko foi levado em uma van, em um trajeto de 800 metros, até um campo de futebol na comunidade. Lá, foi colocado num helicóptero, que percorreu os 45 km até a base da Polícia Civil na Lagoa, também na Zona Sul. Uma ambulância, então, transferiu o miliciano até o Miguel Couto, que fica a 1,5 km do local do pouso.
Rodrigo Oliveira, subsecretário da Polícia Civil, afirmou que se trata de um protocolo da Polícia Civil.
“A Lagoa é o ponto de saída e chegada da aeronave, e lá existe serviço médico, uma ambulância 24 horas, para prestar o serviço médico. Nosso protocolo é que seja levado para a Lagoa e da Lagoa para o Miguel Couto, que é um hospital de referência para trauma”, afirmou.
7. O que a Polícia Civil alega sobre sua morte?
Ecko tentou pegar a arma de uma policial quando já tinha sido baleado e era levado em uma van para o helicóptero da Polícia Civil, segundo o delegado da subsecretaria de Inteligência, Thiago Neves.
“Ecko foi alvejado com dois tiros. Quando ele tentou fugir pelos fundos [da casa], ele foi alvejado com um tiro. Durante o trajeto da van para o helicóptero, ele tentou tirar a arma de uma policial feminina, e foi efetuado o segundo disparo. É importante ressaltar que a ação foi rápida, o socorro foi bem rápido”, detalhou.
A Delegacia de Homicídios da Capital vai investigar a morte de Wellington da Silva Braga.
As investigações sobre a milícia comandada por Ecko continuam. Em entrevista no sábado, o delegado Felipe Curi, chefe do Departamento Geral de Polícia Especializada, afirmou que já estão identificados policiais que tinham ligações com o miliciano.
“O que eu posso te afirmar é que há policiais envolvidos. Já há alguns policiais identificados, outros estão sendo identificados”, disse.

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