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Após ameaçar Groenlândia, Trump menospreza peso de europeus na Otan

Redação SeD
Última atualização: 7 de janeiro de 2026 15:53
Redação SeD
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O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, menosprezou as reações de países europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contras as ameaças de Washington para anexar a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca.

“Rússia e China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA, e duvido que a Otan estaria lá para nós se realmente precisássemos dela”, disse Trump, destacando que ele levou os países do bloco a aumentar de 2% para 5% do PIB o total investido em defesa.

“A maioria não pagava suas contas, até eu aparecer. Os EUA, ingenuamente, estavam pagando por eles! Eu, respeitosamente, os levei a 5% do PIB, e eles pagam imediatamente. Todos disseram que isso não seria possível, mas foi, porque, acima de tudo, eles são todos meus amigos. Sem a minha intervenção, a Rússia teria toda a Ucrânia agora”, afirmou.

O presidente estadunidense vem enfrentando críticas de aliados da Otan devido a suas recorrentes ameaças de anexação da Groenlândia. Após bombardear a Venezuela, Trump voltou a dizer que a Groenlândia é necessária para segurança dos EUA, sugerindo que pode anexá-la.

Trump cita os navios chineses e russos que trafegam no Mar do Ártico como justificativa para os EUA assumirem a Groenlândia. A anexação é ilegal, segundo o direito internacional.

Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a medida teria o objetivo de tentar conter o comércio da China pelo Ártico que, com o derretimento das calotas polares provocado pelo aquecimento global, deve ver o valor do frete cair nos próximos anos.

A primeira-ministra da Dinamarca, Matte Frederiksen, disse que, se um país da Otan atacar um parceiro da própria Otan, seria “o fim de tudo”, referindo-se à organização militar que reúne, além de países europeus, os EUA e o Canadá.

Em comunicado conjunto, oito dos 32 países da Otan defenderam a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia nesta terça-feira (6). São eles França, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Espanha, Itália, Polônia e Dinamarca.

“Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”, disse o comunicado, acrescentando que “Os EUA são um parceiro essencial neste esforço” de manter a segurança no Ártico.

Resposta tímida

A resposta dos aliados europeus à ameaça de Trump foi “tímida”, na avaliação do major-general português Agostinho Costa, especialista em assuntos de segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.

O militar avalia que a publicação de Trump menosprezando as reações dos membros da Otan se trata de um “bullying puro e duro” contra os aliados.

“A Europa está em estado de choque. Os países da Europa vivem uma orfandade em relação aos EUA. Toda política norte-americana de Trump vai contra as expectativas do componente europeu da Otan”, afirma.

Para ele, existe a ideia de que a organização seria uma aliança de defesa para proteger a Europa de uma suposta ameaça. Porém, o especialista entende que a função real da Otan é outra.

“A organização, pela realidade dos fatos, representa os interesses estratégicos e geopolíticos norte-americanos e serve como justificativa para a presença norte-americana na Europa, em especial, para o conjunto de bases que eles têm aqui e para as 250 armas nucleares que estão posicionadas aqui”, acrescentou Agostinho Costa.

O general português considera que a submissão da Europa aos EUA é “patológica” e diz que o aumento dos gastos com defesa, após pressão de Trump, serviu para transferir recursos para indústria de armas estadunidense.

“[O aumento dos gastos com Defesa] é, fundamentalmente, um negócio que impôs à Europa uma transferência dos seus orçamentos de defesa para a indústria militar norte-americana, porque a indústria militar europeia não está minimamente desenvolvida ao ponto de poder fornecer esses armamentos”, concluiu.

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