Na primeira matéria da série, foram apresentados a metodologia do Sergipe 2050 e os levantamentos que ajudaram a compreender os desafios e as oportunidades para o estado. Agora, veja como as incertezas críticas e as estratégias dos diferentes atores contribuíram para a construção de quatro cenários prospectivos.
A construção dos cenários prospectivos do Sergipe 2050 partiu da análise de tendências e de fatores que podem influenciar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas. Entre eles estão oportunidades que podem ser aproveitadas, ameaças que precisam ser enfrentadas e incertezas capazes de alterar os rumos de Sergipe até 2050.
Segundo o diretor de Planejamento de Longo Prazo e Projetos Estruturantes da Desenvolve-SE, Guilherme Rebouças, a construção dos cenários tem uma finalidade prática para o planejamento estadual. “Foi um processo muito rico, porque todo mundo aprendeu um pouco de todas as áreas e assim sistematizamos o pensamento sobre Sergipe. E esse é um dos pontos altos desse processo. Esses cenários nos ajudarão a fazer as escolhas das estratégias agora”, disse.
Oportunidades, ameaças e desafios
Com a identificação e análise das megatendências, foi possível avançar para outra etapa do Sergipe 2050. A partir daí, era preciso entender como esses movimentos podem afetar Sergipe. Assim, foram identificadas 108 oportunidades para o desenvolvimento, além de ameaças que precisam ser enfrentadas. Também foram apontados os desafios, ou seja, as formas de enfrentar as ameaças e aproveitar as oportunidades.
Entre as possibilidades, estão a interiorização do conhecimento científico e tecnológico, a expansão da conectividade e o desenvolvimento de novas fontes de energia. Ao mesmo tempo, existem desafios relacionados à insegurança hídrica, às mudanças climáticas, à qualificação da mão de obra, à infraestrutura, à concentração logística e à necessidade de diversificação e inovação da matriz produtiva.
Para o especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan), Guilherme Bratz, uma das grandes contribuições desse trabalho é identificar os desafios para o desenvolvimento de longo prazo. “A proposta é trazer essa reflexão sobre os problemas que serão importantes para o desenvolvimento do estado até 2050 para a realidade atual, incorporando essas questões ao planejamento. Assim, podemos incluir esses grandes temas nos instrumentos de planejamento e começar a trabalhar desde agora. Isso inclui os instrumentos orçamentários, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a Lei Orçamentária Anual (LOA), além do próprio planejamento estratégico”, destaca.
Incertezas
Nem tudo, porém, pode ser projetado a partir das tendências já conhecidas. Por isso, o processo identificou inicialmente 56 incertezas, hierarquizadas segundo sua importância e seu grau de incerteza. Desse conjunto, foram selecionadas 29 incertezas críticas, consideradas capazes de exercer influência significativa sobre os possíveis futuros de Sergipe.
Na metodologia, as incertezas críticas correspondem a eventos altamente incertos e relevantes para a questão norteadora. É a partir delas que são construídas as ideias centrais que dão sustentação e direção a cada cenário prospectivo. Um dos exemplos apresentados é justamente a possibilidade de Sergipe alcançar uma economia mais diversificada até 2050.
Outro elemento considerado foi a atuação dos diferentes atores capazes de influenciar essas incertezas. O estudo identificou 19 grupos de atores com maior capacidade de influenciar o comportamento das incertezas críticas. Além disso, considerou os objetivos, as estratégias e as ações desses grupos como elementos capazes de interferir nos caminhos que Sergipe poderá seguir.
O diretor destaca ainda que o planejamento também envolve a definição de responsabilidades entre esses participantes. “O projeto tem parte desses pressupostos, que nós vamos fazer uma coisa juntos e que, ao mesmo tempo que a gente faz junto, que a gente define um futuro único para Sergipe, um futuro onde a gente vai combinar que é aquele futuro que a gente quer e vai começar a ter as atribuições, as responsabilidades de cada um para a gente chegar lá naquele futuro”.
Futuros possíveis
Com a combinação das incertezas críticas, das tendências e das estratégias dos atores, foram construídas diferentes combinações de hipóteses que deram origem aos cenários prospectivos. Para isso, foi utilizada a técnica de Eixos Ortogonais, que permite combinar diferentes hipóteses sobre as incertezas críticas e, a partir dessas combinações, construir cenários alternativos. Posteriormente, os cenários passaram por avaliações de consistência e coerência.
O resultado são quatro futuros possíveis para Sergipe, que apresentam diferentes perspectivas para a economia e a sociedade e ajudam a refletir sobre os fatores que podem influenciar o desenvolvimento do estado até 2050. Para conhecer os cenários prospectivos e os estudos já produzidos, basta acessar sergipe2050.com.br.
Na próxima matéria desta série será possível conhecer os quatro cenários projetados pelo Sergipe 2050 e as diferentes trajetórias que eles apresentam para o desenvolvimento do estado até 2050.