“Você se considera quilombola?”. Pela primeira vez em um recenseamento os brasileiros poderão responder a esta pergunta. Para dar visibilidade à questão inédita e sensibilizar as lideranças e comunidades quilombolas a responderem ao Censo, o IBGE realizou nesta quarta-feira (17/8) o Dia de Mobilização do Censo Quilombola em territórios quilombolas do país.
Em Sergipe, a mobilização ocorreu no quilombo Rua dos Negros, no povoado Curituba, em Canindé de São Francisco (alto sertão). No local, vivem cerca de 450 famílias, com origem que data de mais de 150 anos. Este quilombo surgiu a partir de escravos que fugiram de engenhos do litoral e se refugiaram na caatinga do sertão, nas proximidades do Rio São Francisco. Em 2013, a comunidade obteve a certidão de autorreconhecimento da Fundação Cultural Palmares.
Simone Feitosa é líder do quilombo e recenseadora de sua comunidade. Para ela, “o censo é fundamental para sermos reconhecidos. Como recenseadora, me sinto muito importante em contribuir para que esse reconhecimento ocorra em nossa comunidade”.
Eduardo Rios, presidente do IBGE, em visita ao estado de Sergipe, conheceu o território e entende a importância para a identidade do brasileiro. “Tem uma característica que os povos e comunidades tradicionais no Censo dentro de um território, que estava previamente estabelecido. Isso faz com que façamos um trabalho na comunidade em sua inteireza e que conversemos com as lideranças locais para que tenhamos esse mapeamento”, aponta.
Quem responde ao Censo Quilombola?
A questão “Você se considera quilombola?” não vai aparecer em todos os questionários, apenas em locais previamente definidos pelo IBGE. Há três diferentes tipos de áreas quilombolas mapeadas pelo IBGE:
– territórios quilombolas oficialmente delimitados, segundo informações do INCRA e institutos de terra estaduais;
– agrupamentos quilombolas, áreas com pelo menos 15 indivíduos e domicílios próximos espacialmente;
– áreas de interesse operacional quilombola: área definida a partir de dados do IBGE e de registros administrativos de órgãos oficiais e instituições parceiras, caracterizadas pela dispersão dos domicílios ocupados ou onde não foi possível confirmar a presença de população quilombola.
Em Sergipe, foram mapeados 43 territórios quilombolas, distribuídos em 26 municípios do estado.
Caso o informante se declare quilombola, o recenseador perguntará “Qual o nome da sua comunidade?”.
Essas duas perguntas possibilitarão que todo o restante do questionário, com temas como trabalho, renda, saúde, educação, gere dados para a população quilombola e também para cada comunidade quilombola.
Abordagem diferenciada
Em áreas habitadas por povos e comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas, existe uma abordagem diferenciada. Antes de iniciar a coleta, o recenseador deve procurar a liderança local e agendar uma reunião, chamada pelo IBGE de reunião de abordagem, na qual vai dar maiores detalhes sobre o IBGE e o Censo Demográfico.
Todos os recenseadores que atuarão em áreas quilombolas ou indígenas passam por um dia a mais de treinamento para tratar especificamente do recenseamento junto a povos e comunidades tradicionais. Durante a coleta, as comunidades podem indicar um guia comunitário para auxiliar o trabalho do IBGE em locais de difícil acesso.
Fonte: Unidade Estadual do IBGE Sergipe