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Promotores recomendam agência nacional anti-máfia para frear atentados

Redação SeD
Última atualização: 25 de outubro de 2025 09:01
Redação SeD
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O promotor Lincoln Gakiya e o Procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, defenderam nesta sexta-feira (24) a importância de coordenar esforços em nível nacional com uma agência nacional anti-máfia, estrutura que integraria os esforços das polícias e dos órgãos de fiscalização e controle, como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).  

Em entrevista coletiva, as autoridades defenderam ainda o endurecimento da legislação contra o crime organizado, apoiando a proposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a importância de uma lei que torne mais célere o processo de expropriação de bens de criminosos e a urgência de uma estrutura mais robusta e eficaz de proteção a autoridades, policiais e, principalmente, testemunhas

Gakiya afirmou ainda que o PCC é de fato a primeira máfia brasileira, pois operações nos últimos anos demonstraram suas tentativas de infiltração no poder político, em negócios lícitos e também nas estruturas financeiras, em um “patamar insustentável”.

“Eles usam estratégias de controle de território e de intimidação de autoridades”, explicou Gakiya, como formas de dissuasão.

“A maneira de se começar a sair disso é endurecer a legislação e dizer claramente à sociedade que temos condições de ser mais organizados que o crime”, disse Oliveira e Costa, para quem os poderes precisam se unir urgentemente, superando questões de ordem político-ideológica em prol da proteção de vidas.

A coletiva mostrou a posição do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após a divulgação da Operação Recon, esforço da instituição e das polícias estaduais para prender faccionados que estavam juntando informações sobre Gakiya, e o coordenador de presídios da região oeste de São Paulo, Roberto Medina, responsável pelas unidades de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes, onde está parte da cúpula da facção. Gakiya é hoje um dos principais promotores públicos que atuam na investigação e combate ao PCC.

Operação

Na operação foram atendidos 25 mandados de busca domiciliar distribuídos nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1). Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado, dois homens foram presos em flagrante por tráfico de drogas em Presidente Prudente, onde o grupo alugou uma casa a cerca de um quilômetro da residência do promotor.

“Na ação, foram apreendidos mais de 4,3 quilos de drogas, quatro veículos, um simulacro de arma de fogo, 30 munições calibre .380, bem como R$ 7,6 mil em espécie. Equipamentos eletrônicos e anotações também foram recolhidos para contribuir com as investigações”, afirmaram em nota.

Segundo o MP-SP os criminosos já haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades, “num plano meticuloso e audacioso que demonstrava o grau de periculosidade e ousadia da organização”. Gakiya afirmou, inclusive, que sua casa foi sobrevoada por drones há três semanas.

De acordo com o Ministério Público, a célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama. A sofisticação do grupo incluía a divisão entre informantes e executores, os últimos fazendo parte de um grupo de elite chamado de sintonia restrita, responsável pelos atentados contra autoridades e policias e por resgates.

Membros desse grupo já atuaram no assassinato de agentes penitenciários do Paraná e estavam envolvidos nos planos de ataque contra o senador Sergio Moro. Segundo Gakiya há suspeitas de que o grupo tenha atuado no assassinato do ex-delegado geral de polícia Ruy Ferraz, em 15 de setembro. A polícia já prendeu oito suspeitos de envolvimento neste caso, o último na terça-feira (21).

Agência Brasil

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