A Universidade Federal de Sergipe (UFS), entre os dias 03 e 06 de novembro, sediou o XV Seminário Nacional de Formação de Professores (XV SENANFOPE), responsável por fomentar as discussões nacionais sobre o futuro da docência no Brasil. Com o tema “Pesquisas e políticas de formação de professores/as em perspectiva democrática: disputas e desafios”, o evento reuniu pesquisadores, gestores, estudantes e representantes de entidades educacionais de todo o país.
A programação do seminário articula a atuação da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), entidade que realiza o evento desde 1997, com fóruns nacionais do segmento, a exemplo do Forumdir, ForParFor e ForPibid RP. Além do XV SENANFOPE, a iniciativa reuniu o 47º Encontro Nacional do Forumdir e o IV Encontro Nacional ForParFor e ForPibid, com o objetivo de criar redes de discussão e apontar concepções plurais, de forma crítica e contextualizada.
A pedagoga e vice-reitora da UFS, Silvana Bretas, celebrou a realização conjunta do 15º Seminário Nacional de Formação de Professores da ANFOPE em parceria com o Forumdir, o ForParFor e o ForPibid RP, destacando que o encontro carrega 30 anos de acúmulo histórico de debates rigorosos sobre as políticas públicas de formação docente.
“Estar à frente da gestão da universidade desperta um sentimento de profunda gratidão e fé. Com minha formação em Pedagogia e como professora do Departamento de Educação, tenho imprimido na Vice-Reitoria a marca da pedagogia e, como consequência, uma grande articulação com todos os conhecimentos e todas as áreas. Neste encontro, professores da educação básica também terão a oportunidade de apresentar seus trabalhos nas sessões de apresentações orais. É uma alegria muito grande e uma marca da nossa gestão, de André Maurício e Silvana Bretas: fazer desta universidade um patrimônio popular da sociedade sergipana e também brasileira. Por isso, acredito que um seminário nacional representa tudo isso”, afirma a vice-reitora.
O evento conta com a participação expressiva de representantes do Ministério da Educação, do Conselho Nacional de Educação, de pesquisadores e de profissionais da educação básica de todo o país, o que consolida a atual gestão da Reitoria na missão de firmar a UFS como um verdadeiro patrimônio popular da sociedade sergipana e brasileira.
Professora titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e presidente da Fundação Joaquim Nabuco, vinculada ao Ministério da Educação, a professora Márcia Ângela Aguiar destacou a trajetória de militância histórica na construção da ANFOPE, apontada por ela como referência nacional para o debate da formação docente no país.
“É uma alegria muito grande participar deste evento, porque eu lutei pela construção da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. Estar aqui, diante de uma audiência composta por professoras, professores e pessoas que atuam na educação básica e na educação superior, é algo extremamente relevante, especialmente nos tempos atuais, em que teremos novamente um governo aberto e comprometido com a democracia e com a soberania do nosso país”, destaca.
Representando o Ministério da Educação, a diretora de Articulação com os Sistemas de Ensino da Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (SASE), Selma Rocha, destacou a relevância do seminário, que tem como núcleo a valorização dos profissionais por meio da formação e a defesa da escola pública. Para ela, o debate é central para o país neste momento.
“A valorização da escola pública é condição de existência de uma nação soberana; sem isso, não existe soberania. Estamos falando do compartilhamento de conhecimento, de ciência, de tecnologia e dos saberes no campo das humanidades com as maiorias sociais. Isso garante não só o acesso ao mercado de trabalho, mas também as condições de cidadania e de reflexão sobre os grandes problemas da nação. Por isso, a discussão sobre a escola pública, a universidade pública e a produção de conhecimento no espaço público é absolutamente central”, afirmou.
Selma Rocha ressaltou que a valorização docente vai além da formação e envolve também o trabalho pedagógico nas escolas. Segundo ela, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que as escolas construam seus projetos pedagógicos, o que exige que os professores tenham, dentro da jornada de trabalho assegurada por lei, espaço para se reunir, produzir conhecimento, planejar e acompanhar esse projeto.
“É da natureza da nossa profissão estudar e conhecer. Não podemos entender a formação dos profissionais da educação como uma questão pontual e eventual. Além da formação inicial, é preciso que os processos de formação e reflexão sejam sistemáticos e permanentes”, defendeu.
A definição de Sergipe como o estado sede do 15º Encontro ANFOPE ocorreu de forma unânime. A escolha foi deliberada por aclamação durante a assembleia do 14º SENANFOPE, realizada anteriormente em Vitória. A proposta para trazer o evento ao estado foi apresentada pela vice-reitora Silvana Bretas, sendo acolhida de imediato pelos participantes sem sequer haver outra concorrência, evidenciando o forte desejo coletivo de realizar o encontro em solo sergipano.
Para a Profa. Dra. Malvina Tuttman, presidente da ANFOPE, estar no Nordeste e em Sergipe representa vivenciar a energia positiva e o papel estratégico da região na defesa da democracia e da soberania nacional.
“O evento cumpre o papel fundamental de congregar estudantes, educadores, pesquisadores, associações sindicais e movimentos sociais com o propósito de articular um projeto de educação alinhado ao projeto de país desejado pela sociedade. Dando continuidade a uma trajetória construída desde os anos 1980 e pautada rigorosamente em princípios democráticos, o encontro debate qual deve ser a formação dos profissionais da educação para atuar ativamente na transformação do Brasil, combatendo as desigualdades sociais e promovendo a equidade e a vida digna”, reforça.
Carioca de nascimento, mas criada em Aracaju, a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Ana Dantas integrou a primeira turma de Pedagogia da UFS, cujas atividades iniciais funcionavam nas instalações da antiga Faculdade Católica de Sergipe, no centro de Aracaju.
Para a docente, que atua nas áreas de Política Educacional e Educação Ambiental sob uma perspectiva crítica e freireana, retornar à UFS como participante do XV SENANFOPE foi descrito como um presente e um regresso à casa onde foi moldada para o mundo da educação.
“Estou muito feliz de participar de um evento de uma associação que é um baluarte na defesa de todos nós, professores da educação básica e da educação superior. É muito importante, não só para quem é da pedagogia ou das licenciaturas, mas para todos, porque qualquer pessoa pode se tornar professor de repente: forma-se em engenharia química, por exemplo, faz um concurso na universidade e vira docente. Por isso, é importante entender o que significa ser professor, que para mim é muito mais do que isso: é ser educador”, afirma.
Giulia Meneses – Ascom UFS – Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS