Uma cooperação científica entre Brasil e Espanha está fortalecendo os esforços para a conservação da Mata Atlântica em Sergipe. Tendo o Instituto Santuário da Mata como base para suas atividades de campo, os pesquisadores espanhóis Amaia Fernández e Eduardo García, que desenvolvem seus estudos de mestrado em Conservação da Biodiversidade na Universidade de Valência, na Espanha, estão realizando atividades de campo voltadas ao monitoramento da movimentação de primatas em fragmentos de Mata Atlântica no sul do estado.
As atividades concentram-se na região do povoado Tejupeba, no município de Itaporanga d’Ajuda, considerada uma das áreas mais importantes para a conservação da Mata Atlântica em Sergipe. O principal objetivo é compreender como os primatas se deslocam entre os fragmentos florestais e identificar os pontos mais utilizados nessas travessias. As informações obtidas contribuirão para indicar os locais mais adequados para a implantação de passagens de fauna, subsidiar a criação de corredores ecológicos e orientar outras estratégias voltadas à redução dos impactos da fragmentação da Mata Atlântica sobre a fauna silvestre.
A iniciativa conta ainda com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), coordenado pelo professor Dr. Edilson Divino de Araújo. Em Sergipe, as atividades de campo são orientadas pelos pesquisadores Dr. Francis Luiz Santos Caldas e Dr. Hamilton Ferreira Barreto.
A sede do Instituto Santuário da Mata funciona como base para as atividades de campo desenvolvidas na região, que abriga importantes remanescentes de Mata Atlântica e populações de espécies ameaçadas, como o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), classificado como Criticamente em Perigo, o guigó-de-Coimbra-Filho (Callicebus coimbrai), classificado como Em Perigo, e o sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus).
A presença dos pesquisadores em Sergipe representa um dos primeiros resultados concretos da missão técnica internacional realizada neste ano pelo Instituto Santuário da Mata na Espanha e na Alemanha. A partir das conexões estabelecidas durante essa viagem, surgiu a oportunidade de desenvolver este trabalho em Sergipe, fortalecendo o intercâmbio científico e a cooperação internacional em prol da conservação da biodiversidade.
Segundo Tito Garcez, fundador do Instituto Santuário da Mata, a iniciativa demonstra como a cooperação internacional pode contribuir para fortalecer a conservação da biodiversidade no estado.
“A cooperação com pesquisadores internacionais é extremamente importante porque nos ajuda a gerar conhecimento científico e também a conquistar mais apoio para avançar nas ações de conservação de que a Mata Atlântica sergipana tanto precisa. Quando diferentes instituições trabalham juntas, conseguimos potencializar os esforços e aumentar as chances de transformar esse conhecimento em ações concretas, como a implantação de corredores ecológicos, passagens de fauna e outras iniciativas para proteger a biodiversidade.”
Para os pesquisadores espanhóis Amaia Fernández e Eduardo García, a experiência em Sergipe revelou uma realidade que não esperavam encontrar: a proximidade entre a biodiversidade e as comunidades locais.
“Durante as atividades de campo, tivemos um contato muito direto com a fauna e pudemos observar como os animais utilizam áreas muito próximas de espaços frequentados e modificados pelos seres humanos. Isso nos fez perceber que, mesmo em ambientes que não parecem ser uma floresta intacta, ainda existe uma grande diversidade e uma relação muito próxima entre a fauna e a presença humana.”
Os pesquisadores também destacam que esperam que o estudo contribua para fortalecer estratégias de conservação que conciliem a proteção da biodiversidade com a realidade das comunidades locais.
“Esperamos que os resultados deste trabalho contribuam para encontrar um equilíbrio entre as comunidades locais e a biodiversidade da região. A conservação da fauna não depende apenas da proteção de áreas naturais, mas também da compreensão de como pessoas e animais utilizam e compartilham esses espaços. Esperamos que esse conhecimento possa contribuir para promover uma convivência mais equilibrada entre a comunidade e a fauna, valorizando a biodiversidade local e incentivando estratégias de conservação que também considerem as necessidades das pessoas que vivem na região.”
A iniciativa reforça a importância da cooperação científica internacional para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e fortalecer ações voltadas à conservação da Mata Atlântica e de suas espécies ameaçadas.
Texto e foto ascom Santuário da Mata