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Sergipe

Motoristas voltam a apontar insegurança com pulos de catraca

Redação SeD
Última atualização: 24 de janeiro de 2025 12:07
Redação SeD
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Com o intuito de reforçar a segurança dos usuários do transporte público e os motoristas, em 2023, a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) determinou a implantação de catraca alta em áreas com alto índice de pulos de catraca, como é o caso da Barra dos Coqueiros, que chegou a ser solicitado pela SMTT local e pelos próprios trabalhadores do transporte, e em algumas áreas de São Cristóvão e Aracaju, onde também foram identificadas ocorrências recorrentes.

 

O ato, que é considerado crime, ainda é uma realidade nas linhas que circulam na capital e na Região Metropolitana e interfere no transporte de forma geral. Desde sua implementação, a medida conseguiu eliminar 90% dos registros de pulos de catraca nessas regiões,. Isso porque, em casos já registrados pelas empresas de transporte público, esse tipo de ocorrência chega a resultar em muitos momentos em arrastões com assaltos aos passageiros, além de ameaças aos motoristas.

 

O motorista José Brasil atua no transporte público coletivo há mais de 10 anos e, atualmente, trabalha na linha Parque dos Faróis. Ele avalia que a instalação da catraca dupla foi uma medida eficaz, reduzindo quase 100% os casos de pulos de catraca. “Essa medida tem ajudado muito a reduzir o receio dos passageiros e motoristas em relação aos pulos de catraca. Infelizmente, ainda há quem pratique isso, o que é preocupante, pois além de ser um crime, nunca sabemos qual a intenção por trás dessa atitude. É uma situação complicada”, ressaltou José.

 

Já para João dois Santos,  passageiro que utiliza o transporte público como principal meio de locomoção, a iniciativa também trouxe benefícios. “Foi uma iniciativa maravilhosa. Sou idoso, não pago passagem mas, mesmo que pagasse, não pularia a catraca. O que vejo é muita gente pulando e o motorista nem pode fazer muita coisa porque não tem como saber a intenção da pessoa. Não sei o que os outros passageiros acham mas, pra mim, foi uma boa ideia”, opinou João.

 

Para as pessoas com pouca mobilidade, obesos e gestantes, os assentos da dianteira são de uso exclusivo, para que não haja a utilização da catraca. “Achei a implementação da catraca alta uma ótima iniciativa pois traz mais segurança para os passageiros, evitando situações desagradáveis e até mesmo perigosas. Embora, às vezes, seja um pouco complicado passar pela catraca dupla, os benefícios certamente superam essa questão”, enfatizou Alexa Fábia.

 

 

Pulo de catraca chegou a gerar perda de R$ 1,5 milhão

 

Os pulos de catraca têm sido um grande desafio para o setor de transporte público e impactam diretamente as empresas que operam em Aracaju e na Região Metropolitana. Somente no ano passado, em uma das empresas que circulam nas quatro cidades sergipanas, a Viação Atalaia, houve o registro pelas câmeras de segurança de mais de 349 mil pulos de catraca, uma média de mais de 29 mil pulos por mês, ocasionando um prejuízo financeiro estimado em mais de R$ 1,5 milhão no ano. O valor é equivalente ao investimento em dois ônibus novos convencionais.

 

O motorista Roosevelt Lima, compara essas práticas no transporte público de Aracaju e região metropolitana a um câncer, uma “doença” que se espalha e causa grandes danos ao sistema. “A catraca funciona como um escudo, um ‘remédio’ aplicado para combater esse câncer. Até agora, tem trazido melhoras significativas, proporcionando mais segurança para motoristas e passageiros”, destacou Roosevelt.

 

Além dos impactos diretos para a segurança, os usuários que utilizam diariamente o transporte público também são prejudicados já que quem não paga a tarifa onera quem paga.  O cálculo tarifário é baseado na divisão do custo do serviço e do número de passageiros pagantes, então se menos pessoas pagam a tarifa, o preço da passagem tende a ser maior.

 

Outro fator que traz consequências diretas aos passageiros, é que o pulo de catraca interfere na prestação do serviço através do processo de distribuição da frota, pois os registros acabam não identificando a quantidade real de usuários que circulam nas diferentes linhas.

 

Sinttra fala de vulnerabilidade dos motoristas à criminalidade

 

Com o objetivo de promover maior segurança no transporte público, no ano passado, o Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Sinttra) enviou um ofício à SMTT com a solicitação de medidas de proteção, incluindo a instalação de catracas duplas. A iniciativa buscava coibir as ações criminosas que estavam acontecendo com frequência em certas linhas intimidando profissionais. Muitos motoristas chegaram a pedir a transferência de atuação para outras linhas por não ter segurança de seguir com o trabalho diante de tantas ocorrências seguidas de ameaças.

 

“Sempre defendi a proteção tanto dos trabalhadores quanto dos passageiros e é inadmissível voltarmos ao uso da catraca normal. Isso apenas abriria espaço para mais violência dentro dos coletivos, afastando os usuários do transporte público. Com o aumento da insegurança, ficaremos ainda mais vulneráveis à criminalidade. A segurança pública, muitas vezes, deixa a desejar e nós reiteramos o nosso compromisso em continuar cobrando a permanência da catraca dupla”, ressalta com bastante afinco o presidente do Sinttra,  Miguel Belarmino, que há época apontou diversas ameaças que trabalhadores do transporte sofriam diariamente por quem pula a catraca.

 

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